Tarde santarena

São inumeras as músicas que embalam o amor dos santarenos pela Pérola do Tapajós. Algumas delas falam das praias, do encontro das águas, dos pescadadores, dos casais de namorados e por aí vai. Outras falam da sua fauna e flora.

Não precisa ser muito sensivel ou mesmo inspirado pra fazer poesia para a terra que é banhada pelo verde-esmeralda do Tapajós e cobiçada pelo barrento Rio Amazonas. Mais uma fotinha de uma tarde sem chuva.

orla2

Eu fico com a beleza de Stm

É bonita, é bonita e é bonita.

Eu não sei em que Deus estava pensando quando criou Santarém, mas ele dedidou boa parte do seu tempo a desenhar as curvas da nossa Pérola do Tapajós e outra parte pra colorir de um verde-esmeralda o Tapajós e mais ainda pra deixar o nosso por do sol diferente de qualquer outro. As vezes penso em sair daqui, sei lá, ganhar o mundo e vencer na vida. Mas olho o Tapajós abraçado ao Amazonas e já me sinto um vencedor – sabe desses que nao tem prêmios na parede mas que carrega em si uma imensa felicidade de fazer parte desse cantinho de mundo? Pois é, é assim que eu me sinto.

Todo santareno, tanto faz ser homem ou mulher, tem um lado meio materno. É assim: nós sabemos que a nossa política está em crise, que o asfalto é de péssima qualidade, que as chuvas estão fazendo um estrago danado em alguns bairros e que ‘crescer’ profissionalmente aqui é só na marcha lenta. Mas mesmo assim – olha o lado materno falando mais alto – a gente ainda acredita que tudo tem um jeito. E aí daquele que tenta falar o que não deve de Santarém – é comprar uma briga feia.  

Foto: Arnoldo Riker

Considerações sobre o SBT Repórter

 

Noite de quarta-feira e eu sentada (deitada) em frente a TV pra esperar a série de reportagens sobre Santarém e Belterra, no Oeste do Pará. Até aí tudo bem, mas convenhamos, as pessoas ainda vão ter que remar muito pra traduzir as belezas dessa região em um único programa de televisão – alguns encantos dessa região estão guardados a 7 chaves.

Vamos às considerações da blogueira aqui:

1º: a pescaria de jacaré não é um esporte típico da região – eu mesma nunca pesquei um e comi carne de jacaré uma vez em 23 anos;

2º: nem toda a população de Santarém, quase 400 mil habitantes, mora em palafitas – essas casas suspensas e que ficam a beira do rio. Em Santarém há prédios e asfalto (apesar das pessoas nunca mostrarem isso nas reportagens, nem mesmo por imagem aérea e o asfalto ser de péssima qualidade – mas não vamos entrar nesse mérito agora).

3º: a dona Dica Frazão se orgulha mesmo dos seus feitos e seus materiais espalhados pelo mundo. Dona de um conhecimento imensurável sobre como fazer tecido a partir de casca de árvore, ela ostenta o padrão de não passar esse conhecimento pra nenhum ser vivente da região. Não é a toa que ela sempre aparece sozinha nas reportagens – ao contrário das mulheres do Aritapera e de outras comunidades da região, que fazem do seu conhecimento uma historia de vida, e não uma lenda, como será a historia da Dica Frazão daqui a alguns anos quando ninguém mais se lembrar dos vestidos e mantas feitas com entrecasca de árvore. Tomara que ela reveja seus conceitos antes de morrer.

4º: adoro as parteiras – quero que meus filhos venham das mãos de parteiras da região. Mas em Santarém também existem maternidades e pré-natal, e não curamos ferimentos com a aquela formiga cabeçuda que o repórter apresentou. 

5º: équa, pai d’équa, virge. Essas são palavras comuns do ‘caboco’ do Pará – e meu também. Mas é o sotaque que diferencia um povo do outro. O mineiro diz Uai, o baiano diz Oxente e pro caipira ta tudo bão o tempo todo.

6º: ah sim, o nosso por do sol é digno dos deuses do Olímpio;

7º: chega-se em Alter do Chão por estrada, e não só de barco, como sugere a reportagem. E por falar em Alter, a festa do Sairé é bem mais do que aquilo que apareceu ali. A representação, nada mais foi do que ‘forçar a pauta a acontecer’. Então, se você está pensando em vir ao Sairé esse ano, não desista por causa da reportagem.

8º: o trabalho do Projeto Saúde e Alegria  é mesmo daquele jeito. Tem os barcos, os pacientes, as cirurgias, a alegria e o saúde do povo de volta – tem parceria com a prefeitura de Santarém também e com financiadores que bancam as despesas.

9º: chega-se a Santarém de barco, carro e avião.

10º: alguém pode me dizer por que ele falou do Mercadão 2000 e não falou do açaí?

rios

Esse é o nosso encontro das águas!!!!

 

Juliane Oliveira

Enquanto isso…

Enquanto o SBT se prepara para mostrar as belezas da região no SBT Repórter, a chuva não dá trégua e muitas famílias vivem o drama de terem de sair de suas casas no bairro do Uruará. A foto, encaminhada no release da prefeitura, deixa claro que, além das ações de caráter urgente, pouco tem sido feito pra mudar a realidade desses mais de 12 mil moradores que todos os anos convivem com a insegurança do período chuvoso.

uruara

Não culpo São Pedro pela situação, mas sim os nossos governantes que nada fazem pra resolver o problema e nós mesmos, que os elegemos. A culpa é minha e sua.

Mostarda de pimenta

Com a falta de oportunidade de sentar em frente ao PC e ficar namorando o meu blog, eu não pude escrever algumas coisas aqui, mas vamos lá.

O post sobre o Restô Nossa Casa tem dado o que falar, principalmente no próprio restaurante das irmãs Márcia e Marta Melo. Ainda essa semana eu fui lá com a minha amiga Tania Amazonas e o amigo manaora Wellington Paes e pude bater um papo longo com a Marcia sobre o post no blog e todo esse universo culinário que nos rodeia.

O lugar como sempre continua agradável e as companhias melhores ainda – o atendimento impecável e a risada da Martinha também continua contagiando a todos. Mas a novidade do lugar mesmo é uma tal de mostarda de pimenta que anda circulando por lá (o mistério disso só quem tava lá mesmo pra saber).

Explico: o Nelson Vinencci – cantor da terra – chegou esses dias lá com uma novidade e logo a Marcia tratou de ‘experimentar’ e dá o ponto – aquilo que só um bom chef saber saber. Como ela chegou ao final eu não sei e se soubesse não ia contar, mas logo logo a novidade vai está acompanhando os pratos da casa. Em todo caso, ao chegar lá pergunte pela ‘mostarda de pimenta’ ou pelo seu nome verdadeiro: pasta de pimenta a’La Vinencciana’. Não, isso não é porque ele tem os comentários afiados e ferinos como uma pimenta não, é porque foi ele quem deu a dica inicial.

E como eu falei que a clientela é mesmo um diferencial do lugar, eis a prova:  O reporter Bocardi quando esteve em Santarém e a chefe de prod. da filiada da Globo em Stm, Claudenice Lopes.

bocardi-visita-nossa-casa

E agora a decoração do lugar

decoracaoAté segunda-feira

bye

Pedintes, pirateiros e docinhos

pirate_hostessOntem, depois de um dia ‘pra lá e pra cá’ da minha vida de jornalista/blogueira, me dei o gosto de saborear um suco de laranja no terminal turístico (que já foi abocanhado pela Massabor Pizzaria) na companhia de agradáveis amigos e amigas. Entre um gole e outro é preciso arrumar uma maneira delicada de dizer: ‘não amigo, eu não compro CDs piratas ou não tenho hoje’.

Até que eu me divirto com os pedintes de plantão. Na maioria dos casos costumo bater papo com os caras – quem não tem dinheiro conta história não é?. Esse é bem o meu caso. Em um desses casos nós (eu e meus amigos) conhecemos um senhor que disse que tava precisando de grana pra completar o bilhete pra ir de ônibus de Santarém pra Itaituba (ainda no Pará). Ele veio pra Pérola do Tapajós pra poder chegar até Juruti aonde ia arrumar o emprego. Como em todas as outras historias desse tipo , essa também não deu certo e ele precisava agora voltar pra casa e não tinha muito dinheiro, além de umas poucas moedas que fazia questão de jogar de uma mão pra outra. Mas esse, ao contrario de outros pedintes, não tinha cheiro de cachaça – o que já o torna mais confiável que os outros. Mas eu mesma não tinha dinheiro pra dá pra ele, então o puxei pra um papo.

Durante a conversa ele soltou que ‘ia encontrar pessoas de bom coração que iam ‘ajudar’ ele’. Respondi que ‘a gente até que tem bom coração, só não tem dinheiro’. Ele riu, e nós também (afinal, quem rir seus males também espanta). Agradeceu e disse: pelo menos vocês não gritaram comigo.

Pinnnnnnnn. Eis mais um assunto legal. É normal que não nos sintamos a vontade em dá dinheiro pra todo e qualquer pedinte que aparece na nossa porta ou nos pára no meio da rua. Mas aí a tratar mal a pessoa já é pura falta de educação – que ao contrário do que esse tipo de pessoa pode pensar: não se acaba e nem fica pouca. Eu posso até não dá dinheiro e tals, mas acho que palavras confortantes podem tirar alguém de uma situação ruim. E se a pessoa que pede não tem boas intenções o problema é dela e eu continuo fazendo a minha parte: contando história e tornando aquele momento menos humilhante, pra qualquer uma das partes.

Pirateiros e docinhos de plantão

As doceiras que passsam por nós também são engraçadas. E o pior é que elas passam justamente no momento em que a gente decide iniciar uma dieta. Aí já era. É o jeito se entregar aos caprichos e uma boa castanha-do-Pará coberta de chocolate.

Já os pirateiros são problemas da polícia. Eu só vou escrever aqui que ontem perdi a conta de quantos deles encostraram na nossa mesa pra oferecer os filmes e CDs mais barrelas possíveis.