Qualquer coisa, grita

 

 

 

E onde o amor for infinito
Que eu encontre o meu lugar.
E que o silêncio da saudade,
Não me impeça de cantar.

Talvez você me encontre por aí,
Quem sabe a gente possa descobrir no amor
Sonhos iguais, noites de luz
Que os dias de paz estão em nós.

Oração do Horizonte – Detonautas

 

Como eu quero que as palavras soltas sejam um grito de ‘ei, eu tambem não sei o que está acontecendo’. Ou simplesmente um foi apenas um ‘jeito diferente de mostrar o quanto você me faz bem’. Ou até ‘o quanto esperei e vou esperar pra dividir meus sonhos com você’.

E eu, que desesperadamente não sei o que isso significa, me perdi tentando te encontrar, te decifrar. Não sei por quanto tempo vai durar e também não sei como agir. Eu, logo eu, a pessoa que tinha as respostas pra todas as perguntas do coração, fiquei perdida dentro do vazio da silêncio. Do meu próprio silêncio. Do seu silêncio.

Tudo e todos na hora certa

Esse é um post sem nenhuma perspectiva para o fim. É apenas uma conclusão das somas de tudo aquilo que tem rondado meu pensamento, meu espírito e meu corpo. Só deixei de querer viver ou presenciar muitas coisas de uns dias desses pra cá. A única vontade que eu tenho é de ser feliz – seja como for. Ser feliz e ficar em paz comigo mesmo e com o mundo. Mesmo que esse mundo se resuma a bolha que me cerca.

Crise dos 24

Acredito sim que essa é só mais uma fase – alguém já ouviu falar de alguma crise dos 24 anos de idade? Não. Então a criei agora. Talvez isso seja mesmo a Crise dos 24 anos. Como eu a criei nesse momento, ainda não inventei regras e não sei se ela atinge aos homens, mas com as mulheres é real, pelo menos comigo.

Decidi que tenho que buscar a felicidade onde quer que ela se esconda. Trabalho. Família Religião. Ruas. Becos, avenidas. Cinema, bares, teatro, praças. Ônibus, metrô, carona, sinal verde ou amarelo. Não importa. Sei que ela está em algum lugar desse bioma – seja ele amazônico ou não. Mas tá por aqui.

Não gosto de desistir daquilo que acredito ser uma verdade – e ser feliz é uma delas. Mesmo que por vezes pareça que tudo deve mesmo ir pra puta que pariu ou pras curvas do inferno. Desistir jamais. Mesmo que digam que estou errada – as vezes sei que estou mesmo – e daí? Quem tem razão nesse mundo confuso de idéias tortas e paranóias em busca de uma perfeição física e discriminação racial ou étnica? Por que fingir e negar que vale a pena os riscos? Tentar, mesmo que pareça impossível – quem sabe dá certo.

Não nos ensinaram a amar na escola. E passamos a maior parte da vida lá. Praticamente foi lá que começamos a formar as primeiras frases, orações e a conjugar os verbos. Verbos. Ação. Eu amo. Tu amas. Ele ama. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. É fica por aqui. Não se questiona a razão de amar. Como aprender a amar? Isso se ensina? Droga! Reconheço profundamente que nunca amei ninguém – nenhum homem, namorado ou amante. Nem mesmo aqueles que eu pensei ter amado e para os quais me entreguei. Tudo hoje faz parte do passado. E a escola não me ensinou que eu ia ter de aprender a viver com isso – não amar alguém. Muitos passaram pela minha vida e poucos deixaram alguma lembranças. Lembro do cara que olhou pra mim numa roda de amigos no centro histórico de uma cidade qualquer e sugeriu que eu mudassemos de lugar: os casais estão trocados – ele disse. Ri e aceitei a proposta. Ele estava certo. Tempo depois desfilávamos de mãos dadas pelo mesmo centro histórico. Mas eu tinha dia e hora marcados pra partir. E parti. Vivi  ali o melhor dos meus 18 anos.

Outros também passaram. Uns falaram de amor. Outros não pensavam em responsabilidades. Outro em casamento, família e filhos. No final das contas: ainda não amei ninguém mesmo. Talvez porque eu acredite mesmo no amor, e não nas conveniências. Na dose extra de frisson no corpo, e não nos papéis assinados. No sorriso, no aperto de mão e não no famoso ‘eu te amo’ da boca pra fora. Um dia alguém disse ‘eu te amo’. Terminei ali mesmo. Outro me olhou e disse que precisava me falar uma coisa: – Se for ‘eu te amo’ é melhor ficar calado – eu disse. Ele não falou nada. Já que isso deixou de ser um texto qualquer e virou um monólogo de meus ‘amores eternos’, confesso que tenho medo do ‘eu te amo’.

Medo porque nunca senti segurança nisso. As vezes eu mesma  não me amo o suficiente – mas num posso deixar de conviver comigo mesma e nem com meus medos. Isso não impede que eu acredite no amor – mas só ‘eu te amo’ não me convence mais. Acredito no toque. No olhar. No sorriso. Na ação. Dizer ‘eu te amo’ é muito fácil. Essa foi uma das primeiras expressões que eu fiz a minha sobrinha aos 2 ½ repetir exaustivamente aos meus pais – hoje eu me arrependo disso. Ensinei como ser igual a muitos que hoje estão por aí: dizer apenas aquilo que é convencional. Mas criança esquece rápido e um dia ela vai aprender a usar essas palavrinhas na hora exata – assim como eu. É. Isso mesmo. Nunca disse ‘eu te amo’ pra mais de cinco pessoas. Meus pais (2), amigas de infância (2) e, desculpem, mas não me lembro de mais ninguém. Ou seja, só pra 4 pessoas. Provavelmente tenha sido só pra essas mesmo. Sempre preservei o uso dessas palavras. E ainda preservo.

Mas eu não quero falar daquilo que deu errado. Tudo e todos na hora certa!

Mesmo quem eu não amei deixou sua parcela de contribuição na minha vida. E como eu tenho capacidade de viver com isso. Adoro gente. Adoro historia de gente. Sou capaz de ficar uma tarde inteira ouvindo alguém contar a própria história – principalmente se ela é uma história e crescimento, sonhos, esperança e amor (olha ele aqui de novo). O personagem nem precisa ter casado com a mocinha ou se transformado numa pessoa de sucesso. Basta dizer que é feliz como está. Isso basta pra fazer da simples história um enredo interessante de ouvir.
Eu gostaria de ter conhecido mais gente na minha vida. Mais gente experiente. Mais gente que acredita na esperança. Gente que vive sem energia elétrica e que nunca usou um computador. Gente que não tem nada de parecido com o meu mundo – mas que tem um mundo que me intriga, me inspira, me comove e me instiga. O mundo tem muitos mundos dentro dele. Cada um de nós é um mundo a parte. Um mundo com ideologias diferentes. Como diz a musica ‘cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom capaz de ser feliz’. O cara que escreveu isso é tão pensador quanto Platão e Aristóteles. Pelo menos eu acho isso.

Nem todas as conveniências são bem vindas. A gente nem que podia dá as mãos antes de saber nomes. Mas não. Desde crianças somos ensinados a não falar com estranhos. Estranhos? Eu não acredito nisso. Só não falo com que eu não quero ou com quem não quer falar comigo. A gente pode se conhecer hoje e amanhã tá fazendo planos para o futuro. O que nos impede? Ah tá. A tal conveniência. Você nem conhece essa pessoa direito – dizem. Normal – as vezes eu não me reconheço em mim mesma.

Só sei que decidi pela felicidade, e ela não vem em um cavalo branco – eu sei. Mas acredito nela. Alias. Vivo e respiro dela. Decidi que não vou trabalhar muito (só) pra ganhar dinheiro. Mas vou comprar uma casa no campo e fazer uma varanda. Plantar algumas árvores. Ter um filho – o Davi (se trocar as sílabas fica VIDA). Vou tocar violão quando eu aprender. Cantar. Tomar banho de chuva e de cachoeira. Assistir filmes. Ler muitos livros. Vou rir. Vou andar por ai. Vou escalar uma montanha. Morar alguns meses na praia. Curtir com quem, onde e como eu quiser. Vou experimentar a vida. E de preferência sem conveniências.

Essa imagem aqui é Renato Santos