Ribeirinhos e indígenas resistem à construção de hidrelétrica no Tapajós

Um ambicioso projeto para a região amazônica está tirando o sono dos moradores das comunidades ribeirinhas às margens do rio Tapajós. Com a construção da hidrelétrica de São Luís do Tapajós o vilarejo de Pimental, onde vivem por volta de 700 ribeirinhos, corre o risco de ficar debaixo d’água.

O projeto de construção da usina ainda está em fase de estudos para o licenciamento ambiental. Mas as violações aos direitos dos ribeirinhos já começaram. “Eles entram aqui sem pedir a ninguém, saem fazendo perguntas e não explicam nada para as pessoas”, denuncia seu Luiz, um dos moradores do Pimental.

Ele se refere aos funcionários da Geosul, empresa contratada pela Eletronorte para fazer os estudos de licenciamento. De acordo com os moradores, uma das estratégias que essa empresa utiliza é tentar dividir a comunidade para enfraquecer a resistência.

Os moradores de Pimental estão dispostos a resistir à construção da usina. A moradora mais antiga do local, conhecida como Dona Gabriela, reafirma: “Estou disposta a brigar para não construírem a barragem. Aqui é bom, vivemos tranqüilos. Onde vão agasalhar tanta gente?”, questiona a mulher, muito lúcida aos seus 104 anos de idade. Dona Gabriela chegou ao local aos 9 anos de idade.

Se construída, a usina de São Luís produziria 6.133 MW, potência inferior apenas às hidrelétricas de Itaipu, Belo Monte e Tucuruí. A barragem teria 39 metros de altura e 3.483 de comprimento e seria construída em uma das áreas mais preservadas da região amazônica, o Parque Nacional da Amazônia. Outras seis usinas estão em estudo para a bacia do Tapajós. Elas afetariam a região de maior biodiversidade do mundo, com 11 unidades de conservação.

Além dos ribeirinhos, a construção do complexo de hidrelétricas pode atingir as populações indígenas do local. No final de setembro, os pesquisadores tentaram entrar na aldeia Apiacás sem autorização dos indígenas. Acabaram sendo expulsos. O cacique da aldeia, Juarez, reforçou a necessidade de os indígenas se unirem aos ribeirinhos na resistência à obra. “Essa usina vai ser uma tragédia para nós, vamos lutar contra”, afirmou.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) nunca concluiu o processo de demarcação do território da aldeia. Essa situação deixa os indígenas vulneráveis, já que por lei é proibido construir hidrelétricas em terras indígenas demarcadas. De acordo com a Funai, há por volta de 500 indígenas vivendo na região.

*Com informações do jornal Valor Econômico

O risco das hidrelétricas no Rio Tapajós

Duas das usinas estão projetadas em mata intocada. Técnicos do Instituto Chico Mendes protestam contra redução das áreas protegidas, num dos maiores mosaicos de biodiversidade do planeta 

Do Ecodebate*

A determinação do governo em levar adiante o plano de construir a última grande hidrelétrica do Brasil poderá impor um custo ambiental sem precedentes na história do país, destaca reportagem de André Borges. Um custo ambiental ainda mais pesado do que Belo Monte e proporcional ao significado dos estragos de Itaipu na época da ditadura militar.

A construção do complexo de usinas na bacia do rio Tapajós, entre os Estados do Amazonas e do Pará, vem sendo arquitetada desde a década de 1980. O projeto foi retomado pelo governo faz quatro anos e prevê a construção de cinco usinas hidrelétricas – São Luiz de Tapajós, Jatobá, Cachoeira dos Patos, Jamanxim e Cachoeira do Caí. Dentre dessas, porém, a mais significativa é a usina de São Luiz do Tapajós, que teria potência inferior apenas a Itaipu, Belo Monte e Tucuruí e produziria 6.133 megawatts (MW) de energia a partir da construção de uma barragem de 3.483 metros de comprimento atravessada no coração da Amazônia.

A barragem teria 39 metros de altura, o equivalente a um prédio de 13 andares e seria erguida em uma das áreas mais protegidas da região: o Parque Nacional da Amazônia, a primeira unidade de conservação demarcada na chamada Amazônia Legal que com outras 11 unidades forma o imenso complexo da bacia do Tapajós – o maior mosaico de biodiversidade do planeta.

 

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Por “água abaixo”

 

Tribos indigenas do Xingu presentes do X Forum Social Pan-Amazonico - Foto: Juliane Oliveira

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