Atoleiro. Chuva. Distância

Uma vez li na lameira de um caminhão a frase ‘Quem inventou a distância nunca sentiu saudade’. Melancolias a parte, a saudade não é o único atrapalho pra quem mora as margens da BR-163, que liga Santarém (PA)  a Cuiabá (MT). A lama, os atoleiros constantes a a insegurança de trafegar numa via ‘de’ condições tão precárias já fazem parte do caderninho de quem precisa da rodovia pra escoar produção, comprar produtos e alimentos. E não é só isso. A  estrada é a porta de entrada/saída pra cidade de Santarém.

Desde que me entendo por gente ouvi prefeitos, governadores e até presidentes subir em palanques e falar da prioridade que é asfaltar a BR-163. Imagine se fosse o contrário – aonde estariamos a essa altura do campeonato? Acontece que entram governantes e saem corruptos e nada é feito. A nossa estrada continua ali, lameada e cheia de atoleiros pra todos os gostos.

Ainda essa semana um leitor do blog comentou aqui a respeito das enchentes que castigam o Oeste do Pará. Ele aproveitou pra lembrar que, assim como chove na cidade, também chove na BR-163, o que aumenta os atoleiros e a demora pra voltar pra casa. Na mesma semana meu irmão pediu que eu procurasse na internet um vídeo do Youtube do ônibus da empresa Ouro e Prata atolado na BR-163. O vídeo mostra o drama e a insegurança de quem precisa da BR- 163 pra se descolar. A cartada final chegou hoje no meu e-mail. Um amigo também jornalista e blogueiro, Thiago Foresti, e que trabalha no Mato Grosso mandou umas fotos (ver abaixo) da situação da BR-163.

Quando da visita do ilustre príncipe Charles eu também fiz uma publicação a respeito da situação das nossas estradas. Mas a acho que a ilustre governadora Ana Julia Carepa não atendeu ao meu pedido.. fazer o que né?

BR-163 já tem nome…

…só não tem asfalto, mas tudo bem. Buracos também não lhe faltam.

Reproduzindo uma notícia que saiu so site 24horasnews, do MT.

jonas-pinheiroFoi aprovado na Câmara Federal, um projeto de iniciativa do senador Jayme Campos, que denomina de Senador Jonas Pinheiro o trecho da rodovia BR-163 entre Cuiabá e Santarém, no Pará. A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados ratificou o parecer do deputado Wellington Fagundes (PR/MT), relator da proposta oriunda do Senado Federal. A aprovação foi ontem (25).

Jayme Campos justificou a homenagem lembrando os 26 anos de vida pública do senador Jonas Pinheiro, que foi eleito deputado federal em 1982, sendo reeleito para o mesmo cargo nos pleitos de 1986 e 1990. Já em 1994, Jonas chegou a Senado com expressiva votação, para onde foi reconduzido em 2002.

Ao falecer no ano passado, com 67 anos de idade, Jonas deixou um trabalho exemplar no Congresso Nacional. “Ele dedicou-se principalmente à defesa da agricultura brasileira, mas jamais se esqueceu do homem que vive na cidade”, destacou Jayme. “Por isso, a titulação da rodovia BR-163, que é a estrada da produção rural, com o seu nome faz justiça à luta deste bravo matogrossense”.

fim da notícia

Engraçado que eles se preocupam em homenagear as pessoas e esquecem de cobrar do governo as verbas necessárias pra melhor a estrada, que por sinal está do mesmo jeito do anos passados – horrivel, intrafegável e esburacada.

🙂

E os paraenses, não vão homenagear ninguém?? Que tal o amigo Jader Barbalho?

De que Amazônia estamos falando?

Enquanto a governadora Ana Julia Carepa faz as honras da casa ao príncipe Charles, muitos homens arriscam a vida pra sustentar suas famílias. Digo isso com propriedade por ser filha de um e irmã de outro desses homens.

Carreteiro de profissão e pai biológico e de coração, meu pai está nesse momento ilhado do outro lado do Pará porque a ponte pela qual ele devia passar está quebrada. Até aqui nenhuma novidade, afinal de conta, pontes quebradas, estradas esburacadas e atoleiros são itens indispensaveis no cenário dos invernos paraenses de todos os anos. Mas eu me pergunto, até quando a tal BR-163 será motivo pra políticos – desde a camada de prefeitos até o nosso ilustre presidente – virem ao Pará e ao Mato Grosso pedirem voto (???). ponte na br136
Planos e mais planos pra conter o desmatamento, a prostituição e etc e tal. Não sei porque palavras rabiscadas no papel são mais importantes do que a vida das pessoas que já moram as margens da BR-163. Ah tá, lembrei. As pessoas que escrevem esses planos ficam atoladas atras de mais papeis dentro de um escritório com uma central de ar ligada e recebendo e-mails com gifs engraçados. Enquanto isso, famílias que moram em lugares como Altamira, Uruará, Rurópolis e Placas (essas são as cidades que eu lembrei e que já conheço) no interior do Pará passam fome porque os caminhões, principais meios de transporte de alimento, estão atolados ou do outro lado da ponte. Faltam medicamentos também e sofrer um acidente grave ou ser acometido de qualquer outra doença mais séria é tentativa de homicídio, uma vez que ainda no século XXI as pessoas precisam ir pra outros pólos pra fazer uma cirurgia de média complexidade.

Um dos poucos trechos decentes da BR-163
Um dos poucos trechos decentes da BR-163

Será mesmo que é uma estrada decente que vai fazer com que o desmatamento e a prostituiçao aumente pras bandas de cá? Vejo meninas e meninos vendendo o corpo em plena avenida e já faz muito tempo que elas estão ali e que o asfalto passou. Será mesmo que existem milhares de empresários esperando só o asfalto ‘sair’ pra nos cortarem os pés de maçaranbura, cedro e ipê? Claro que não, porque não são os buracos que impatarem que eles chegassem aqui a 50 anos a trás e num vai ser agora que eles vão impedir que permaneçam. Visto a camisa por um meio ambiente mais saudável, planto árvores quase que todos os finais de semana, separo o óleo de cozinha utilizado na minha casa pra fazer sabão  em barra depois, desligo as luzes antes de ir pra cama, quase nunca uso chuveiro elétrico, ensino a minha sobrinha a economizar água na hora do banho e de escovar os dentes e nem por isso eu saiu nas ruas da cidade pedindo que não cortem árvores. Eu faço a minha parte. E por que que as pessoas que escrevem os planos pra conter o desmatamento não fazem essas coisas também? Falam em desenvolvimento sustentável e comem batata-frita com coca-cola. Falam em paz e amor financiam o tráfico com o consumo de drogas.

Por que que essas pessoas continuam fazendo isso? Por que ninguém se preocupou em levar o principe Charles pra conhecer as estradas que impedem que alimento, remédio e roupas cheguem até as populações do cafundó do Judas do Pará? Será que a Ana Julia já plantou alguma árvore depois do plano de 1bi. de árvores para a Amazônia? Será que o Charles plantou alguma árvore lá pras bandas do Maguari, em Belterra – que caso ele nao saiba foi uma area explorada durante a Guerra devido o seu forte potencial em produção de latex?  Qual a Amazônia mesmo que apresentaram pra ele?

Ah, e quanto a ponte na BR-163, eles vão armar cordas no entorno dela pra poder atravessar. Até o fechamento desse post meu pai e nem meu irmão ligaram pra dizer como foi a aventura.