Falar a verdade

Sobre ser sincero e verdadeiro conosco e com as pessoas, principalmente com aquelas que querem o nosso bem, eis algumas dicas:

quando você quiser dizer ‘não’; diga simplesmente: ‘não’.
quando você quiser dizer ‘não posso’; diga simplesmente: ‘não posso’.
quando você quiser dizer ‘não quero’; diga simplesmente: ‘não quero’.
quando você quiser dizer ‘vou embora’; diga simplesmente: ‘vou embora’ e vá.
quando você quiser dizer ‘eu fico’; diga simplesmente: ‘eu fico’ e fique.
quando você quiser dizer ‘quero’; diga simplesmente: ‘eu quero’ e queira.
quando você quiser dizer ‘posso’; diga simplesmente: ‘posso’.
quando você quiser dizer ‘sim’; diga simplesmente: ‘sim’.
quando você quiser dizer ‘eu te amo’; simplesmente ‘ame’.

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Premio A Rede 2012: VozMóvel – Categoria Acessibilidade

O projeto VozMóvel, que vem sendo desenvolvido pelo CPqD com o objetivo de facilitar o uso de dispositivos móveis por pessoas com deficiências visuais, acaba de conquistar o Prêmio ARede 2012, concedido anualmente a iniciativas relevantes de inclusão social no país que envolvem o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). O projeto do CPqD foi premiado na categoria Acessibilidade, modalidade Setor Privado, em cerimonia realizada ontem (29/10), em São Paulo, que contou com a presença de várias autoridades e representantes da sociedade civil e do setor privado.

“Esse é um prêmio muito importante para o CPqD, porque, além de representar o reconhecimento de um trabalho que vem sendo realizado há vários anos, é parte da nossa missão de contribuir para promover a inclusão digital da sociedade no Brasil”, afirma o presidente Hélio Graciosa. “Temos várias soluções de acessibilidade já disponíveis no mercado e, em breve, o projeto VozMóvel trará uma nova perspectiva de uso de dispositivos móveis para pessoas cegas ou com deficiências visuais”, acrescenta.

Iniciado em julho de 2010, com o apoio de recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) do Ministério das Comunicações, administrados pela Finep, o projeto VozMóvel consiste no desenvolvimento de uma solução que usa a tecnologia de síntese de voz como base de um novo modelo de interação do usuário com smartphones dotados de tela sensível ao toque (touchscreen). A primeira versão foi concebida para o sistema operacional Android, que hoje lidera as vendas de smartphones no mercado mundial.

No modelo de interação desenvolvido pelo CPqD, a tela do aparelho é dividida em seis áreas, correspondentes às principais funções de um celular: realização de chamadas, histórico de ligações, contatos, mensagens de texto (SMS), nível de sinal e de bateria e data/hora. Na medida em que a pessoa toca ou desliza o dedo sobre a tela touchscreen do aparelho, uma voz sintetizada informa a função correspondente àquela área. Com mais um toque, ela tem acesso à função. E, se essa função envolver uma informação, como o nível da bateria do aparelho ou uma mensagem de texto recebida, ela também é transmitida por meio do recurso de síntese de voz – que utiliza a tecnologia CPqD Texto Fala.

“Um dos diferenciais desse projeto é a parceria com o Centro de Prevenção à Cegueira (CPC) de Americana, que permitiu identificar as reais necessidades dos deficientes visuais e a sua participação no próprio desenvolvimento e teste da solução”, enfatiza Claudinei Martins, da Diretoria de Tecnologia de Serviços do CPqD. Em fevereiro deste ano, teve início um teste piloto da solução, com a distribuição de smartphones touchscreen a um grupo de pessoas atendidas pelo CPC que, desde então, vêm utilizando os aparelhos no seu dia-a-dia.

“O intuito era avaliar a usabilidade da aplicação e receber sugestões de melhorias. E os resultados têm sido muito ricos em informação”, diz Martins. Segundo ele, agora o objetivo é incluir na interface funções do smartphone relacionadas ao acesso a e-mails, notícias e à internet em geral – outra demanda dos deficientes visuais que estão participando do teste piloto.

O foco principal do projeto VozMóvel são as mais de 6,5 milhões de pessoas cegas ou com grande dificuldade permanente de enxergar existentes no Brasil, de acordo com o Censo 2010 do IBGE. “Mas, no futuro, essa tecnologia poderá beneficiar também idosos, analfabetos e até crianças que ainda não aprenderam a ler”, acrescenta Martins.

fonte: http://www.cpqd.com.br/imprensa-e-eventos/the-news/6592-projeto-do-cpqd-voltado-para-deficientes-visuais-vence-premio-arede-2012.html

Liderança de Puelito Kue | Guarani-Kaiowá

informe:

Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado deve realizar na próxima semana uma audiência pública para tratar da situação dos índios Guarani-Kaiowá, ameaçados de expulsão de suas terras tradicionais na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul. O presidente da Comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), afirmou que pretende realizar o debate com as partes envolvidas no conflito o quanto antes. Para isso, ele pretende aprovar um requerimento na segunda-feira (29), quando a CDH se reúne às 9h.

 Podemos ter lá uma matança, um assassinato coletivo, ou genocídio. Não importa o nome, o que importa é que homens e mulheres índios poderão perder a vida devido ao conflito lá instalado – disse o senador em entrevista à Rádio Senado.

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Veja uma das lideranças da comunidade dando a real sobre o que está se passando por lá – produção da Associação Cultural de Realizadores Indígenas, em parceria com a Aty Guasu.

O desafio da paz #GuaraniKaiowá | CartaCapital

Por Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da USP

publicado originalmente em 14.02.2012 18:31 aqui 

 

Imagem

A foto de Valter Campanato mostra uma Guarani-Kaiowá com seu título eleitoral

 

A difícil situação dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, e particularmente dos guarani-kaiowá, em sua natureza, não é diferente do que se verifica em várias outras regiões do Brasil e da América Latina. Estamos falando de um processo de expropriação territorial, com o objetivo de utilizar-se dos recursos naturais (terra, água, madeira) e consequentes violações dos direitos mais básicos dessas populações, como o acesso à alimentação, educação e saúde.

O que impressiona no Mato Grosso do Sul é, sobretudo, a dimensão dos problemas e o grau de acirramento dos conflitos. Em primeiro lugar, isso acontece porque se encontra ali, hoje, a segunda maior população indígena do País, 73.295 pessoas, número somente superado pelo Amazonas (168.680). Juntos, os grupos de língua guarani falantes do dialeto kaiowá (autodenominados kaiowá) e os que falam nhandeva (autodesignados guarani) conformam hoje o maior grupo indígena do País, com cerca de 45 mil pessoas, distribuídas por mais de 30 terras indígenas e 31 acampamentos à beira de estradas ou em pequenas porções de terra dentro de fazendas.

Nos últimos anos, diversos relatórios nacionais e internacionais, de organizações da sociedade civil, como a Anistia Internacional e a Survival, além de órgãos de governo e mesmo de Estado, como o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), têm apontado a situação dos guarani-kaiowá como um dos maiores desafios atuais do governo brasileiro na área dos direitos humanos.

O outro forte fator que agrava a crise no Mato Grosso do Sul é o grande poder político da elite local, particularmente acentuado na conjuntura atual, em que o agronegócio se tornou um dos pilares de um modelo econômico baseado, em grande parte, na exportação de commodities primárias. De fato, é um mar de soja, cana-de-açúcar e pastagens para o gado bovino o que se vê, hoje, sobre as terras reivindicadas pelos guarani-kaiowá, outrora uma região de grande biodiversidade, com matas ricas em madeiras nobres, como a peroba, o cedro e a aroeira.

O poder econômico e político dessa elite local, fortemente associada ao capital transnacional que financia o agronegócio, protelou ao máximo o processo de demarcação das terras indígenas na região. Desde que o movimento indígena Aty Guasu passou a organizar ocupações de terra como estratégia para pressionar o Estado brasileiro a agir na região, em meados dos anos 1980, a Fundação Nacional do Índio sempre agiu de forma pontual, sem buscar uma solução estrutural para os conflitos. Uma determinada área era ocupada, e somente ali se iniciava um processo de identificação e delimitação.

O movimento guarani-kaiowá pela recuperação das terras surgiu na virada dos anos 80, no bojo da redemocratização, ao mesmo tempo em que se organizavam os setores populares de todo o País. Ao longo das quatro décadas anteriores, os indígenas haviam visto seu território ser ocupado progressivamente por milhares de colonos vindos de vários cantos do País, com incentivo oficial, tanto do governo federal quanto do estado de Mato Grosso (a criação do Mato Grosso do Sul aconteceu em 1979). Nos anos 50 e 60, os líderes que ousavam reagir a esse processo de espoliação eram tachados de “comunistas” pelos órgãos indigenistas.

A mão de obra indígena já era explorada na região desde o século XIX, na extração de erva-mate, atividade instalada logo depois que o País ganhou a posse daquelas terras com a Guerra da Tríplice Aliança. Logo, os trabalhadores indígenas passaram a ser empregados no desmatamento massivo da região e implantação da monocultura extensiva, sobretudo da soja e da cana. Nos anos 70, intensificou-se o processo de expulsão das centenas de grupos locais para dentro de oito reservas indígenas que haviam sido demarcadas entre 1915 e 1928 pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI, substituído em 1968 pela Funai).

Essas antigas reservas, contudo, não chegavam a 18 mil hectares de terra. Quando milhares de pessoas passaram a ser retiradas das áreas que ocupavam em “fundos de fazendas” por toda a região, os recursos naturais das antigas áreas do SPI rapidamente se esgotaram, e apareceram os problemas que, há 30 anos, assolam com força os guarani-kaiowá: conflitos entre as famílias, suicídios dos jovens, desnutrição infantil. Com a falta de terras, os homens, sobretudo, deslocam-se para longe da família a fim de buscar remuneração principalmente nas usinas de cana-de-açúcar – alvos de frequentes denúncias em razão da precariedade das condições trabalhistas.

Hoje, a situação enfrentada pelos jovens guarani-kaiowá nessas reservas lembra muito a que é vivida nas periferias das grandes metrópoles brasileiras. Em Dourados, a área mais problemática, onde o índice de assassinatos chega a ser superior ao de países em guerra, como o Iraque, já surgiu até um grupo de rap, o Bro MC’s, inspirado em grupos como o Racionais MC’s.
“Sei que não é fácil levar a vida desse jeito/ Fazer o quê? Me rendo ou luto/ contra o preconceito?/ Sou índio, sim/ problema, não burro/ como pensa esse sujeito/ Daquele jeito!/ Continuo minha sina/ sabendo muito bem quem gerou minha ruí-na/ 510 anos de abandono confinados/ em reservas que mal cabem nossos sonhos (…)/ Vai achando graça, mas o papo aqui é sério/ você e sua cachaça mandam muitos pro cemitério/ (…) De lá pra cá, guerras, conflito/ Chegou a hora de lutar pelo direito dos índios”, cantam os rappers desse que é o primeiro grupo de rap -indígena a gravar um CD no País.

 

REAÇÃO EM CADEIA
A reação ao processo de confinamento foi contundente. Uma a uma, os militantes da Aty Guasu reconquistaram, desde os anos 80, mais de 20 pequenas porções de terra, hoje em diferentes fases de regularização fundiária. Inicialmente, a Funai adotou uma política de demarcar áreas minúsculas, obviamente insuficientes para as necessidades das comunidades – vide as terras indígenas jaguari (405 hectares), sucuriy (500 hectares) e jarará (479 hectares), todas demarcadas e homologadas ao longo dos anos 90.

Mais recentemente, as demarcações passaram a contemplar áreas maiores, porém esbarrando, cada vez mais, nas ações judiciais. Das três áreas homologadas no governo Lula, duas foram barradas por liminares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso aconteceu em 2005 com a terra indígena Nhanderu Marangatu (9.317 hectares no município de Antônio João), suspensa por Nelson Jobim, e, em 2009, com a terra indígena Arroio-Korá (7,1 mil hectares em Paranhos), embargada por Gilmar Mendes.

Nos últimos anos, os fazendeiros da região, fortalecidos política e economicamente, também tornaram as disputas cada vez mais violentas. Os assassinatos de lideranças, que já alcançavam repercussão internacional desde a morte de Marçal de Souza, em 1983, passaram a ser cada vez mais frequentes, sobretudo a partir de 2003, quando morre Marcos Verón, liderança de destaque no movimento Aty Guasu.

A crise nas reservas superlotadas também se intensifica na última década. Entre 2005 e 2006, ganham destaque na mídia nacional e no meio político as mortes em decorrência da desnutrição infantil. Como forma emergencial de combater o problema, intensifica-se a distribuição de cestas básicas. Em paralelo, o Ministério Público Federal intensifica suas pressões por uma solução real para o problema.

Segundo a legislação brasileira, o que está em jogo são as terras de “ocupação tradicional” do grupo (categoria definida pela Constituição de 1988, em seu artigo 231). Na cosmologia guarani-kaiowá, essas áreas são chamadas de tekoha (de teko – modo de ser – + ha – lugar, uma palavra que poderia ser traduzida como “lugar onde se pode viver do nosso próprio jeito”). Isso ajuda a entender a formação dos acampamentos – geralmente buscando as poucas áreas de mata que restam na região, na proximidade de onde se localizavam antigos assentamentos indígenas.

A alusão a esse “outro jeito de ser” demonstra que o movimento guarani-kaiowá é, sobretudo, uma reação cultural à imposição do estilo de vida dos karaí (como os indígenas designam os brancos). Não por acaso, os xamãs são figuras importantes na luta pela terra, eles fundamentam o sentido dessa ação política com profecias sobre o retorno dos tempos de fartura e alegria, a partir da recuperação do antigo território indígena. Retomar um tekoha, como fez Nisio Gomes, é voltar ao contato com os espíritos da terra e dos ancestrais.

No fim de 2007, a Funai assina, junto ao MPF, e com o testemunho das lideranças da Aty Guasu, um Compromisso de Ajuste de Conduta para resolver de uma vez por todas a situação das terras guarani-kaiowá. Em julho de 2008, são lançados seis grupos de trabalho para identificar e delimitar as terras indígenas, divididas de acordo com as bacias hidrográficas da região. Uma estimativa inicial dos antropólogos envolvidos é de 600 mil hectares a serem identificados – a extensão exata do território reivindicado só será conhecida com a publicação dos relatórios, nos próximos meses.

Na época, fazendeiros e políticos do estado difundiram a versão – prontamente desmentida pela Funai – de que as terras a serem demarcadas poderiam chegar a 12 milhões de hectares (quase um terço da área do Mato Grosso do Sul). Após um ato político na Assembleia Legislativa, o principal diário do estado estampou a manchete: “Produtores declaram guerra aos índios”.

Enquanto os políticos locais pressionavam o governo federal, os fazendeiros buscavam impedir o trabalho das equipes da Funai usando todo tipo de artifício jurídico. Diante da demora nos processos de identificação, mais uma vez os guarani-kaiowá lançaram mão da estratégia de ocupar as terras reivindicadas para pressionar as autoridades. O resultado tem sido uma série de conflitos sangrentos, desde 2009. Sem uma ação mais contundente do poder público, mais problemas certamente continuarão a ocorrer.

Bob Fernandes – Guarani Kaiowá: motivos, e reações

Fonte: Bob Fernandes

Neste ano de 2012 pelo menos outros 30 Kaiowá/Guarani se suicidaram no Mato Grosso do Sul.

Entre os anos de 1986 e 1999 – ano em estivemos na região e reservas/aldeias de Dourados o fotógrafo Luciano Andrade e eu- 308 jovens (entre 12 e 28 anos) índios haviam se suicidado. Mais de 90% deles por enforcamento. A SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde) informa oficialmente que entre os anos 2000 e 2011 outros 555 jovens Kaiowá/Guarani se suicidaram. Nunca suicídios “coletivos” como, por desinformação ou má intenção, se espalhou por aí.

“Tekoha” é expressão que, a grosso modo, significa lugar onde se pode viver da maneira tradicional. “Teko” quer dizer “jeito de ser”, jeito de viver, e “ha” é “lugar”. A luta dos Kaiowá/Guarani é pelo seu Tekoha.

O confinamento em espaços cada vez menores, a “mistura”, imposta, com outras etnias e raças, as decisões judiciais que levam à expulsão de suas terras, o cerco e assassinatos promovidos por pistoleiros e fazendeiros -sempre impunes- são alguns dos muitos motivos dessa tragédia. Tragédia que leva aos suicídios chamados “sansônicos”. Traduzindo: “suicídios de protesto”.

 

obs.: esse jornalista tem minha admiração.

Nota sobre o suposto suicídio coletivo dos Kaiowá de Pyelito Kue

Nota sobre o suposto suicídio coletivo dos Kaiowá de Pyelito Kue
Fonte: Conselho Indigenista Missionário

O Cimi entende que na carta dos indígenas Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue, MS, não há menção alguma sobre suposto suicídio coletivo (1) , tão difundido e comentado pela imprensa e nas redes sociais (2). Leiam com atenção o documento: os Kaiowá e Guarani falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandoná-las. Vivos não sairão do chão dos antepassados. Não se trata de suicídio coletivo! Leiam a carta, está tudo lá. É preciso desencorajar a reprodução de tais mentiras, como o que já se espalha por aí com fotos de índios enforcados e etc. Não precisamos expor de forma irresponsável um tema que muito impacta a vida dos Guarani Kaiowá.

O suicídio entre os Kaiowá e Guarani já ocorre há tempos e acomete sobretudo os jovens. Entre 2003 e 2010 foram 555 suicídios entre os Kaiowá e Guarani motivados por situações de confinamento, falta de perspectiva, violência aguda e variada, afastamento das terras tradicionais e vida em acampamentos às margens de estradas. Nenhum dos referidos suicídios ocorreu em massa, de maneira coletiva, organizada e anunciada.

Desde 1991, apenas oito terras indígenas foram homologadas para esses indígenas que compõem o segundo maior povo do país, com 43 mil indivíduos que vivem em terras diminutas. O Cimi acredita que tais números é que precisam de tamanha repercussão, não informações inverídicas que nada contribuem com a árdua e dolorosa luta desse povo resistente e abnegado pela Terra Sem Males (3).

Conselho Indigenista Missionário, 23 de outubro de 2012

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Essa carta merece ser um pouco esclarecida. Destaco alguns pontos.

(1) […] não há menção alguma sobre suposto suicídio coletivo – Ok. Também acho que há certa confusão na aplicação dos ‘termos’ usados e da interpretação desses para a ação sujeita a acontecer com aquele povo, que é a morte – pura e simples morte. Suicidio, homicidio, morte coletiva – independente de qualquer um dos termos utilizados ou não, o que está por acontecer ali é o extermínio de um povo e suas crenças. É cegueira cultural. É falta de humanidade.
(2) […] tão difundido e comentado pela imprensa e nas redes sociais – Ok. Nas redes sociais eu até concordo e compartilho. Já o caso da imprensa, é um pouco mais delicado. Acredito que o Cimi leve em conta a mídia alternativa, livre e até aquela que abraça a causa indigenista. Como leitora desses veículos, sei que ele não chegam pra maioria da população. Ou alguem aí tem a ilusão que ‘Carta Capital’, ‘Forum’ e ‘Portal Cimi’ são mais lidos que a Folha de S. Paulo ou o Ego|Globo.com, ou até mesmo a Caras???? Ein??
(3) Realmente os numeros são bem expressivos. Mas em pouco mais de 500 anos, nós fomos responsáveis pela morte de indigenas e das florestas para atender nossas necessidades urbanoides e há muito tempo que números como esses são expostos – aprendi algo parecido na 7ª série e de nada mudou. Já deu pra ter uma noção de que eles não ajudam em muita coisa. Se não tocar no coração, não humaniza. Se não sangrar, não humaniza.

Eu não vou deixar de destacar a situação dos Guarani Kaiowá por conta de números. Os números são de ontem, antes de ontem e de amanhã. E eu estou preocupada com o hoje, o agora. Segundo a carta, eles fazem apenas uma refeição por dia. A média de pessoas que acessam o Facebook, Twitter ou leram a carta da CIMI já devem ter feito pelo menos duas refeições e beliscaram alguma coisa no dia de hoje. Também já beberam água mineral filtrada. E vão querer que eu me preocupe com números??? Não. Não agora, por favor.

Pessoalmente, admiro o povo Guarani Kaiowá. Admiro-os pela coragem, pela honestidade, pelo sangue derramado. Admiro-os porque submetem seu corpo e sua ancestralidade ao extermínio por não suportarem mais esse mundo desgovernado – esse mundo Brasil que tirou deles a terra, o sustento, o direito a vida, o canto e as rezas. Quantos de nós também não ‘perdemos’ diariamente a vida por estarmos presos a relacionamentos sem futuro, empregos sem amor, sonhos sem esperança??? Isso também é morte – morte da nossa essencia. De coração, o que os Kaiowá fizeram até aqui é um baita exemplo de que não podemos deixar morrer em nós a nossa cultura, nossa ligação com o superior e muito menos a nossa honra.