Juliane Oliveira está solteira


Vou escrever sobre namorados. Melhor, sobre o fato de não ter um. E também será uma resposta para os insistentes ‘por que não?’ quando eu digo que não tenho um homem pra chamar de meu. A motivação pra esse post aconteceu enquanto eu estava sentada na escada do hotel conversando com um outro hóspede e ele questionou o meu ‘porque não’.  

-Você tem namorado? [ele]
-Não – [eu]
-Por que não? [ele]
-Porque não, oras. Só por isso. [eu]
-Mas.. eu não entendo. Acho que você é muito ocupada ou deve estar focada em alguma coisa.E o namoro pode te atrapalhar. [ele]
-Ah, isso é mentira das pessoas. Eu não namoro porque ‘não’. Só isso. [eu]
silêncio na escada.  

Volto ao meu raciocio e pra minha solteirice aguda que fez aniversário tem tempo. Como o cara da escada tentou arranjar justificativas que explicassem minha solterice exemplificando a sua própria [sim, eu sei que ele é solteiro] e ainda culpando as nossas escolhas profissionais por este estado civil, digo: é tudo balela. Namorar não ocupa espaço. Pessoas ocupam espaço. E não falta gente interessante no mundo pra eu estufar o peito e dizer que ‘não tem ninguém que me interesse’. Posso elencar aqui algumas pessoas com as quais eu teria grandes chances de ser feliz. Mas não é esse o caso. Minha vida de viajante também não atrapalha. Posso dar uma de marinheiro, como cantou Adriana Calcanhoto [quando ela ainda cantava musica para gente grande e não para ‘baixinhos’], e arranjar um amor em cada porto. Mas esse não é meu perfil. Também não estou esperando o homem perfeito [ps.: ele não existe! ‘lamento se decepcionei alguém’] E príncipes encantos.. ah, esses são malandros. No dia seguinte já viram sapo e saem pulando por ai. Por tanto, não existe justificativa para o fato de estar sozinha nesse quarto de hotel insuportavelmente verde-musgo sem um homem pra chamar de meu. Não é uma escolha própria. Não é culpa de um ‘não’. Não é excesso de ‘amor’ por alguém que não me quer. Não é saudade de quem não está. Não é que eu não tenho tempo. Não é que eu queira ficar só. Não é por nada disso. É simplesmente ‘porque não’. É tão difícil entender e aceitar isso? Respeitar o outro e seu tempo?

Já ouvi falar que o amor se constrói aos poucos, igual casa de João de Barro. Eu acredito nisso. Assim como acredito em paixão a primeira vista. Leia bem, paixão. Encantamento, coração acelerado, pernas tremulas, suor frio. Lendo assim, parece a narrativa de um ataque cardíaco. A paixão faz isso com as pessoas. Um ataque ao coração, dominando um pouco de tudo que estava guardado ali e ocupando os espaços vazios. Ou não. Pessoas tendenciosas à destruição conseguem fazer com que isso se torne um tormento, lamuria, apego. Evite-as. É uma dica.

Sem mais palavras pra justificar o injustificável e incompreendido ‘porque não’ e encerrar de uma vez por toda essa conversa, volto a dizer: pessoas interessantes estão ai e eu as vejo. Mas por enquanto, a resposta continua sendo ‘porque não, oras’.

Aconselho a leitura dos seguintes post:

Carta ao Coração

24 anos e nenhum ‘eu te amo’

Por acaso, tem tempo?

Bons meninos

Devolve, moço – Ana Canãs

Ainda falta o ‘você’

Obs.: espaço aberto ao diólogo. Mas sem gracinhas, ok?

5 comentários sobre “Juliane Oliveira está solteira

  1. Elvis disse:

    Mto bom o texto Juliane. As pessoas sempre querem saber, mas nem sempre, estão disposta (ou conseguem) a entender, compreender a peculiaridade, o tempo de cada um!

  2. Italo Leonardo disse:

    Relacionamentos são sempre um bom tema pra se conversar/debater por intermináveis horas e não se chegar a conclusão alguma. É algo tão subjetivo, mas tão subjetivo que não há a mínica possibilidade de se chegar a uma conclusão minimamente satisfatória sobre o tema.

    Volta e meia me deparo com um texto ou poema antigo que escrevi e então me surpreendo com o qual volátil é a minha (nossa) percepção com relação ao amor/relacionamentos amorosos.

    Casamentos, namoros – não há uma formula certa pra isso. O porque ficamos sós, o porque decidimos namorar, nos casar ou simplesmente viver junto de alguém, não há uma explicação pra essas coisas.

    Eu por exemplo sempre preferi os relacionamentos sem compromissos, as ficadas, os flertes em locais e momentos inesperados.

    Hoje estou casado e na minha mui particular opinião, relacionamentos estáveis e duradouros requerem invariavelmente que um dos lados se submeta às vontades e/ou vida do outros. Não existe essa coisa de que um completa a vida do outro, alguém sempre se sobressai [ … raras são as exceções … ] e alguém sempre se anula ou semi-anula.

    Ou seja, relacionamentos só são bons enquanto há paixão… pois disso, o melhor é fazer a fila andar… ou caminhar “sozinho” que também não é uma má idéia.

  3. Socorro Carvalho disse:

    Oi, Juliane
    Procurando uma imagem de criança para colocar uma postagem sobre o dia da explocração de crianças e adolescentes, encontrei seu blog e , claro, aproveitei para ler seu último post. E gostei muito. Concordo com você. De reprente parece que nós mumlheres só temos “valor” dentro da tal sociedade se estivermos acompanhadas por um homem.Considero isso um tremendo absurdo, mas enfim… isso é assunto para muitas horas de debate…rsrs
    Ah, quero lhe dizer que a partir de hoje seu blog vai fazer parte da minha indicações de leitura. Ao mesmo tempo gostaria de convidá-la a visitar meu blog : http://www.minhasinspiracoes.blogspot.com

    um abraço

    Socorro Carvalho

  4. Luana Alves disse:

    é isso mesmo jú, é simplesmente “porque não” é uma questão de respeitar o tempo de cada um, mas realmente é uma questão que precisa de tempo disponível para se discutir sobre o tema e pensar sobre o “porque não?”
    Abraços.

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