Diálogos sobre o tempo


“Tempo. Ah, o tempo”. É mais ou menos assim que começa alguma conversa relacionada ao tempo, meu objeto de estudo nessa noite de domingo enquanto navego pela imensidão do Amazonas. A gente sempre fica com saudade do tempo que passou, do tempo que não veio e do tempo que ainda vem chegar. Essa semana que passou (!!!) foi a semana de examinar, dialogar e entender o tempo. O tempo presente e o tempo do aprendizado. É, porque se tem uma coisa que o tempo traz é o aprendizado. E acrescente ai algumas dores e amores.

“Esperar o tempo das coisas”…essa sempre me pega de jeito. Todo mundo fala isso com o olhar doce, voz mansa e ar de quem tem resposta pra tudo. Mas qual é o tempo das coisas? Sei que a gente tem que ter cuidado, não machucar a si e nem aos outros. Mas vem cá, quem sabe sobre o tempo que as coisas devem acontecer? Eu? Você? De repente a vida da gente está bem do jeitinho que a gente ‘sempre’ quis. Digo ‘sempre’ porque na verdade a gente passou a querer que as coisas fossem ‘assim’ ou ‘assado’ de um tempo (olhe ele aí de novo) pra cá. Sim. Porque quando a gente era criança, queria logo ser adulto, fazer uma faculdade, comprar um carro e viajar muito. Pelo menos a maioria pensa(va) assim. Ai a gente cresce e precisa começar a decidir as coisas: pintar o cabelo? que profissão seguir? casar? comprar uma bicicleta? viajar? morar com os pais? aprender ingles? virar hippie? vegetariana? trabalhar? sair de casa?. Não eram bem essas respostas que eu procurava nos livros de geografia e matematica da vida. Então, você precisa escolher o rumo da sua vida e decide que vai fazer faculdade, pára de pintar o cabelo, termina o namoro mais longo da sua vida (8 meses), compra uma bicicleta, desiste do carro e do casamento, e descarta a possibilidade do morar com os pais porque você precisa viajar, é claro. E vai ser bom ficar ‘um tempo’ sozinha. Bom, pelo menos você pensava assim.

Tudo do jeitinho que você ‘sempre’ quis. Você tem um trabalho que adora, amigos descolados e que estão com você tem um tempão (!!!) e outros que parecem amigos de infância. Além, é claro, de sonhos. Nossa, como voce tem e nutre muitos deles. A sua vida do jeito que você sempre quis. Sem motivos pra reclamar. Assim que acorda ja pula da cama cantarolando alguma coisa, faz o café da manhã (sua refeição preferida – e em dias complicados, a unica), ler emails – porque como sempre diz, são eles que vão definir o ritmo do dia, curte algumas coisas que seus amigos dizem na internet, pensa num texto pro seu blog e pros muitos outros, anda de bicicleta, faz algumas ligações, trabalha, desce e sobe escadas, tem uma idéia que vai tornar sua vida mais agradavel e a divide com alguém. Pronto, você entrou de vez na vida dessa pessoa e voces vão trocar ‘figurinhas’ sobre a ideia que agora é dos dois (três, quatro…) e que, acredite, pode mudar a vida de vocês e ser o que ‘sempre’ quiseram.

Mas voltando ao tempo… pelo menos em texto. Porque o tempo não tem volta. Você pode até pedir desculpas, chorar o leite derramado, se arrepender de ter feito alguma coisa, perdoar e ser perdoado, mas usar a celebre frase ‘ah se o tempo voltasse atrás’ é muito mais inutil do que chover no molhado. Volto àquela questão do tempo das coisas. Se bem que essas coisas correspondem a sua vida. Entao, vejamos: qual o tempo da minha vida? Bom. Essa foi dificil, muito dificil. Porque a gente faz planos que serão concretizados com o tempo (!!!) e isso inclui pessoas: familia, amigos, um amor. Pronto. Você descobre que sempre quis ter uma família. Um maridão pra dividir as alegrias, filhos pra ensinar e um cachorro (eu ainda não penso em cachorro, mas é porque ainda nao é o tempo, mas eu vou achar legal ter um). Eu já ia esquecendo, tem o mestrado. Depois que você termina uma faculdade vai pensar vez em quando que já é hora de fazer um, afinal, o tempo (!!!) tá passando e a geração Y, da qual você é parte, veio com tudo e, ou se qualifica, ou estará fora do mercado em pouco tempo (!!!). Pronto, se você não tinha uma preocupação, agora tem. Fazer ou não fazer o mestrado? Quer saber? Não. Não agora. Ainda não é tempo. Mas você também não sabe quanto tempo tem. Pouco? Muito? Vai ter tempo de rever amigos? Fazer amigos? De casar e de comprar um cachorro? De fazer aquela tão sonhada viagem? Não sabe, ninguém sabe. E assim, sem muitas respostas, a gente vai vivendo. Afinal de contas, nada melhor que o tempo pra acertar as coisas no seu devido lugar.

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