Cadê as janelas?


Era dia quando entrei. Enquanto abria a porta percebi que não era possivel enxergar muito além do primeiro comodo. Mas o sol ja brilhava lá fora e esquentava o asfalto e o corpo de quem se atrevia a sair às ruas- entre eles eu. Mas li dentro era diferente. Escuro feito noite. Quente e abafado feito caixa de papelão.  Triste feito uma manhã de sábado. Notei que faltavam cores além aquelas espalhadas sobre a minha mesa. Também não vi as janelas. Janelas. Cadê as janelas?

Estranho. Mas as janelas não estão aqui. Apenas algumas portas com trancas que garantem a segurança interna e duas portas externas de ferro – como se guardassem pedras preciosas. Mas janela que é bom, nada. Nenhum vento vindo do norte seria capaz de cruzar as paredes pálidas de cimento e refrescar o sorriso de qualquer um ali dentro. Acendi as luzes. Fechei a porta e começei mais um dia de trabalho.

Dica: lembrem-se das janelas.

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