mais e mais feliz, quem sabe


Quando penso em algumas situações da vida, sinto uma dor que vai rasgando a garganta. Por outras vezes, sinto que essa mesma dor se aloja próximo ao meu cérebro, como se quisesse me dizer alguma coisa. Fico ali, calada e não ouço nada. Nada além das batidas do meu coração. Com a voz ofegante e um sorriso cravado nos dentes, nem chego a acreditar que sou eu mesmo que estou vendo e vivendo tais situações. Fujo, mas as lembranças me acompanham.

Ao lembrar de muitas dessas situações, lembro de quando a minha mãe me ensinou que precisava criar anticorpos para me livrar de algumas doenças da infância. Uma das maneiras que ela encontrava pra me ensinar isso era me deixar andar descalça no quintal ou tomar banho na chuva e algumas vezes até mesmo pular com os dois pés na lama formada na rua depois de um dia chuvoso. Algumas vezes lembro dela falando que era bom até comer pimenta para saber que arde e que se passasse a mão no olho,  nunca mais ia repetir a dose. Ela me ensinou ainda a nadar ainda muito cedo e amarrar os cadarços. Me ensinou a nunca aceitar carona de estranhos e que doces em exagero não fazem bem pro coração (queria mesmo acreditar que só isso fizesse mesmo mal ao coração).  Ainda falando em anticorpos, eu cresci saudável e curtindo o que a infância tem de melhor, ao contrário do que vejo na TV. Ao contrário do que acontece com as crianças de hoje.

Depois de alguns sustos, lágrimas e sessão tortura com meus próprios sentimentos posso dizer que hoje me sinto mais fortalecida diante das dores que o mundo já me fez passar. Ter o coração leve, em harmonia e tranqüilo não é uma utopia e sim um estado natural depois do fim de um ciclo que já estava levando pra longe de mim a paz que eu tanto busco. Mas enfim, a vida já começou a mudar.

A distância, a pressa e o medo ficaram pra trás. Só ficou a certeza de que dias melhores estão por vir e que venham. ‘Como um velho boiadeiro levando a boiada eu vou tocando os dias pela longa estrada’ – Renato Teixeira. 

Assim como a areia, a chuva, a pimenta e a lama fizeram o meu corpo criar anticorpos, a vida ensinou a me defender das pessoas que chegam sem pedir licença.

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