menção honrosa


Por: Salathiel Westphalien de Souza

Estimado Papai,

Espero que esta o encontre bem e com a saúde de sempre. Como estão as coisas por aí? Longe de casa, fico ansioso por notícias de todos.

Aqui há poucas novidades. A vida segue com a rotina de sempre. Acordo bem cedo para cumprir minhas obrigações, na companhia dos meus colegas. Em grupo o trabalho parece fluir mais facilmente e agradeço pela companhia que tenho.

A cidade anda cada vez mais movimentada, o que significa trabalho aumentado. Não é raro eu pular o almoço e acabar jantando pouco antes de me deitar. Não me queixo. Sei bem o que devo fazer e me realizo com o meu ofício.

Gosto do contato diário com as várias pessoas que cruzam meu caminho, porém sinto que estou chegando ao fim da minha tarefa por aqui. É claro, eu sabia que este estágio não duraria para sempre. Mesmo assim, sinto um calafrio. Mudanças geram temores. E por menores que sejam, elas nos incomodam.

Em breve chegará o momento de voltar para casa, junto do Senhor. Não quero deixá-lo magoado, pensando que tal idéia me desagrada. Mas sentirei falta do convívio com as pessoas que me cercam. Sentirei falta das paisagens daqui, dos aromas, dos costumes locais.

Querido Pai: você me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de você. Não é fácil definir. Medo talvez não seja o termo mais correto. Seria admiração excessiva? O medo da frustração de talvez não conseguir ser tão perfeito quanto o Senhor?

Os que o conhecem sabem muito bem: é poderoso, eloquente, sabe comandar seus muitos empregados. É rígido e disciplinador. Sabe respeitar-se e exigir o respeito que merece. É sábio em tudo, sabendo ministrar a dose exata de justiça e bondade, dando a cada um o que merece, caso a caso.

Assim sendo, eu é que pergunto: como não ter medo, respeito, admiração? Sua imagem está em minha mente, seu olhar me acompanha dia e noite. Às vezes chego mesmo a ouvir a sua voz, a sua respiração.

Espero que eu dê conta do recado e possa ser o filho que o Senhor sempre quis. De minha parte, faço o possível e o impossível. Há dias em que me ocupo realizando verdadeiros milagres, para que eu possa cumprir fielmente o que sempre me pediu.

Falo muito do Senhor para as pessoas que se aproximam de mim. Elas ficam felizes, pois reconhecem que a gente só fala das pessoas ou coisas de que se gosta muito. Há também quem não acredite que um pai possa ser assim tão bom. Mas fazer o quê?

Como eu ia dizendo (ou escrevendo), em breve não terei mais o que fazer por aqui. Já fiz quase tudo que me foi exigido. Mais algumas tarefas e estarei livre. Realmente são coisas que somente eu poderei realizar e isso adia o meu retorno.

Em algumas semanas espero voltar para casa, encontrar o Senhor e toda a nossa família. Peça ao Gabriel que deixe meus aposentos em ordem, pois a viagem será extenuante e é quase certo que chegarei morto de cansaço.

Sem mais, sinta nesta missiva o adiantado abraço que espero dar-lhe em nosso próximo encontro.

Do seu filho amado,

Jesus

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