No Estadão de domingo


Uma noticia no Estadão (principal motivo desse post) anuncia que a corrida do ouro voltou a ter fôlego.  A reportagem diz “Recomeçou a corrida do ouro no Pará. Milhares de garimpeiros que estavam sem trabalho nos povoados e cidades do Vale do Tapajós seguem pelas trilhas paralelas aos igarapés em busca de filões abertos e reativados nas clareiras da floresta amazônica. Parte dos maltrapilhos esteve nos formigueiros humanos de Serra Pelada e do Creporizão, os lendários garimpos da Amazônia dos anos 1980, marcados pela pujança e exploração de trabalhadores”.

Na reportagem de Leonencio Nossa  estima-se que 10 mil pessoas já estão nessa corrida, ao contrário dos 70 mil de duas décadas atrás. Mas isso não é nada animador ou desesperador – o que quer que seja que esse novo ciclo represente pra sociedade, uma vez que por trás disso há a mão de empresários nada preocupados com o ‘desenvolvimento’ da regiao.

Não. Eu não vou fazer nenhum discurso dizendo que sou contra a exploração do ouro – eu na verdade acho que o homem usa de modo errado esse minério que poderia nos trazer ainda mais beneficios, ao inves de serem usados apenas pra enfeites no pescoço de qualquer um.

Visita ilustre

A reportagem aponta que até a derradeira terça-feira, nenhuma ‘autoridade tinha colocado os pés no garimpo do Bom Jesus’. O primeiro deles foi o ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, ele foi conhecer “a realidade que não está nos livros” que ele leu (grifo meu). Ele ouviu garimpeiros e prostitutas – a gente que ‘sobrevive’ em Bom Jesus.  

valmir_climaco1Um nome, Valmir Climaco, foi dito – e isso muda o rumo da história. Ele (na foto ao lado) foi candidato a prefeito de Itaituba nas eleições de 2008 e contou com o apoio de Jader Barbalho (uma parceria?). De acordo com a reportagem ‘após a descoberta do filão, apareceu no Bom Jesus o madeireiro Valmir Climaco’. Nas mãos um documento que lhe dava permissão de lavra e ele instalou sete máquinas para separar o ouro do barro e das pedras (o joio do trigo). Todo garimpeiro – apesar de não existir vinculo empregatício – depende dos moinhos instalados por ele para limpar o ouro.  Seis homens armados e contratatos por Climaco controlam a ação dos garimpeiros.  Além disso, ele fica com 20% do ouro produzido e cobra R$ 400 pela energia consumida por cada barraca coberta de palha (mais do que meu pai paga com a nossa conta de luz elétrica e com contador trifásico).

Segundo o blog do Jota Parente, o namoro entre Climaco e a jazida não é de hoje. Em outubro de 2007 ele publicou a seguinte nota: “A Altoro, por intermédio do geólogo e empresário Sérgio Aquino, que agora vai tocar a Mineração Fênix, sua nova empresa, já está investindo em pesquisa no garimpo Bom Jesus, de propriedade do empresário Valmir Climaco, com quem está negociando a compra do local.

Neste momento há uma pequena equipe da empresa no garimpo, mas, a tendência de que aumente gradativamente de acordo com a necessidade. Caso as pesquisas confirmem uma jazida de aproximadamente três milhões de onças de ouro, a Altoro pagará U$ 10 milhões a Valmir. O montante a ser pago, caso não se cumpra essa expectativa, será proporcional ao ouro que for descoberto, até um limite mínimo”.(fim da nota).

E então Unger? O que os livros não contam mesmo?

esse post é interessante também, mas não é meu.

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