Considerações sobre o SBT Repórter


 

Noite de quarta-feira e eu sentada (deitada) em frente a TV pra esperar a série de reportagens sobre Santarém e Belterra, no Oeste do Pará. Até aí tudo bem, mas convenhamos, as pessoas ainda vão ter que remar muito pra traduzir as belezas dessa região em um único programa de televisão – alguns encantos dessa região estão guardados a 7 chaves.

Vamos às considerações da blogueira aqui:

1º: a pescaria de jacaré não é um esporte típico da região – eu mesma nunca pesquei um e comi carne de jacaré uma vez em 23 anos;

2º: nem toda a população de Santarém, quase 400 mil habitantes, mora em palafitas – essas casas suspensas e que ficam a beira do rio. Em Santarém há prédios e asfalto (apesar das pessoas nunca mostrarem isso nas reportagens, nem mesmo por imagem aérea e o asfalto ser de péssima qualidade – mas não vamos entrar nesse mérito agora).

3º: a dona Dica Frazão se orgulha mesmo dos seus feitos e seus materiais espalhados pelo mundo. Dona de um conhecimento imensurável sobre como fazer tecido a partir de casca de árvore, ela ostenta o padrão de não passar esse conhecimento pra nenhum ser vivente da região. Não é a toa que ela sempre aparece sozinha nas reportagens – ao contrário das mulheres do Aritapera e de outras comunidades da região, que fazem do seu conhecimento uma historia de vida, e não uma lenda, como será a historia da Dica Frazão daqui a alguns anos quando ninguém mais se lembrar dos vestidos e mantas feitas com entrecasca de árvore. Tomara que ela reveja seus conceitos antes de morrer.

4º: adoro as parteiras – quero que meus filhos venham das mãos de parteiras da região. Mas em Santarém também existem maternidades e pré-natal, e não curamos ferimentos com a aquela formiga cabeçuda que o repórter apresentou. 

5º: équa, pai d’équa, virge. Essas são palavras comuns do ‘caboco’ do Pará – e meu também. Mas é o sotaque que diferencia um povo do outro. O mineiro diz Uai, o baiano diz Oxente e pro caipira ta tudo bão o tempo todo.

6º: ah sim, o nosso por do sol é digno dos deuses do Olímpio;

7º: chega-se em Alter do Chão por estrada, e não só de barco, como sugere a reportagem. E por falar em Alter, a festa do Sairé é bem mais do que aquilo que apareceu ali. A representação, nada mais foi do que ‘forçar a pauta a acontecer’. Então, se você está pensando em vir ao Sairé esse ano, não desista por causa da reportagem.

8º: o trabalho do Projeto Saúde e Alegria  é mesmo daquele jeito. Tem os barcos, os pacientes, as cirurgias, a alegria e o saúde do povo de volta – tem parceria com a prefeitura de Santarém também e com financiadores que bancam as despesas.

9º: chega-se a Santarém de barco, carro e avião.

10º: alguém pode me dizer por que ele falou do Mercadão 2000 e não falou do açaí?

rios

Esse é o nosso encontro das águas!!!!

 

Juliane Oliveira

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Um comentário sobre “Considerações sobre o SBT Repórter

  1. Fernando Leopoldino disse:

    Muito pertinentes as suas considerações. A imagem da região norte e nordeste é muito estereotipada. Pensam que aqui no Ceará a gente come calango… se bem que se tivesse uma farofinha… hum…

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