De que Amazônia estamos falando?


Enquanto a governadora Ana Julia Carepa faz as honras da casa ao príncipe Charles, muitos homens arriscam a vida pra sustentar suas famílias. Digo isso com propriedade por ser filha de um e irmã de outro desses homens.

Carreteiro de profissão e pai biológico e de coração, meu pai está nesse momento ilhado do outro lado do Pará porque a ponte pela qual ele devia passar está quebrada. Até aqui nenhuma novidade, afinal de conta, pontes quebradas, estradas esburacadas e atoleiros são itens indispensaveis no cenário dos invernos paraenses de todos os anos. Mas eu me pergunto, até quando a tal BR-163 será motivo pra políticos – desde a camada de prefeitos até o nosso ilustre presidente – virem ao Pará e ao Mato Grosso pedirem voto (???). ponte na br136
Planos e mais planos pra conter o desmatamento, a prostituição e etc e tal. Não sei porque palavras rabiscadas no papel são mais importantes do que a vida das pessoas que já moram as margens da BR-163. Ah tá, lembrei. As pessoas que escrevem esses planos ficam atoladas atras de mais papeis dentro de um escritório com uma central de ar ligada e recebendo e-mails com gifs engraçados. Enquanto isso, famílias que moram em lugares como Altamira, Uruará, Rurópolis e Placas (essas são as cidades que eu lembrei e que já conheço) no interior do Pará passam fome porque os caminhões, principais meios de transporte de alimento, estão atolados ou do outro lado da ponte. Faltam medicamentos também e sofrer um acidente grave ou ser acometido de qualquer outra doença mais séria é tentativa de homicídio, uma vez que ainda no século XXI as pessoas precisam ir pra outros pólos pra fazer uma cirurgia de média complexidade.

Um dos poucos trechos decentes da BR-163
Um dos poucos trechos decentes da BR-163

Será mesmo que é uma estrada decente que vai fazer com que o desmatamento e a prostituiçao aumente pras bandas de cá? Vejo meninas e meninos vendendo o corpo em plena avenida e já faz muito tempo que elas estão ali e que o asfalto passou. Será mesmo que existem milhares de empresários esperando só o asfalto ‘sair’ pra nos cortarem os pés de maçaranbura, cedro e ipê? Claro que não, porque não são os buracos que impatarem que eles chegassem aqui a 50 anos a trás e num vai ser agora que eles vão impedir que permaneçam. Visto a camisa por um meio ambiente mais saudável, planto árvores quase que todos os finais de semana, separo o óleo de cozinha utilizado na minha casa pra fazer sabão  em barra depois, desligo as luzes antes de ir pra cama, quase nunca uso chuveiro elétrico, ensino a minha sobrinha a economizar água na hora do banho e de escovar os dentes e nem por isso eu saiu nas ruas da cidade pedindo que não cortem árvores. Eu faço a minha parte. E por que que as pessoas que escrevem os planos pra conter o desmatamento não fazem essas coisas também? Falam em desenvolvimento sustentável e comem batata-frita com coca-cola. Falam em paz e amor financiam o tráfico com o consumo de drogas.

Por que que essas pessoas continuam fazendo isso? Por que ninguém se preocupou em levar o principe Charles pra conhecer as estradas que impedem que alimento, remédio e roupas cheguem até as populações do cafundó do Judas do Pará? Será que a Ana Julia já plantou alguma árvore depois do plano de 1bi. de árvores para a Amazônia? Será que o Charles plantou alguma árvore lá pras bandas do Maguari, em Belterra – que caso ele nao saiba foi uma area explorada durante a Guerra devido o seu forte potencial em produção de latex?  Qual a Amazônia mesmo que apresentaram pra ele?

Ah, e quanto a ponte na BR-163, eles vão armar cordas no entorno dela pra poder atravessar. Até o fechamento desse post meu pai e nem meu irmão ligaram pra dizer como foi a aventura.

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Um comentário sobre “De que Amazônia estamos falando?

  1. Cleiton Pessoa disse:

    Cara amiga.

    O que posso te dizer a respeito deste desabafo?
    Que a corrupção predomina? sim. Que a politicagem sobrepuja os interesses coletivos? sim. Que o benefício de cargos e tráfico de influência, bem como de drogas, madeiras e outras funcionam? sim.

    Qualquer de tantas outras perguntar que me fará, as respostas serão claras e simples; SIM; É assim que funciona, infelizmente é assim. O que podemos fazer para mudar. Sinceramente, eu tenho a solução mas n a coragem e o comprometimento suficientes para isto acontecer. É mais difícil do que imaginamos retirar do cerne do próprio povo aquilo que está enraizado a décadas. Educar as crianças somente não adianta, elas crescem, e o povo se esquece disso, e também se esquecem de quem são os pais dessas mesmas crianças.

    Mas qq forma de desabafo é bem vinda.

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